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Campanha Nacional dos Bancários 2026: direitos não se ganham, conquistam-se na luta

há 7 horas
3 min de leitura


A Campanha Nacional dos Bancários 2026 mostrou, mais uma vez, que nenhum direito é concedido de graça pelos bancos.


Cada avanço foi resultado de organização, mobilização e pressão da categoria. Em um cenário de lucros elevados, transformação tecnológica acelerada, fechamento de agências, redução de postos de trabalho e intensificação das metas, os bancários foram chamados a resistir e a defender não apenas seus salários, mas o próprio futuro da profissão.


Desde as Conferências Estaduais e Regionais, a Consulta Nacional e os

Congressos e Encontros realizados ao longo do primeiro semestre, a categoria construiu uma pauta que colocou no centro a valorização do trabalho, a defesa do emprego, a preservação dos direitos e melhores condições de vida e trabalho.


A pauta entregue à Fenaban em 24 de junho expressou essa disposição de luta:

aumento real, valorização da PLR, VA e VR, manutenção da CCT, combate às metas abusivas, proteção diante da inteligência artificial e das novas tecnologias, direito à desconexão e defesa dos bancos públicos.


A resposta dos bancos, entretanto, foi marcada pela tentativa de reduzir direitos e dividir a categoria. Depois de oito rodadas de negociação, foram apresentadas propostas com reajustes diferenciados por faixas salariais e tratamento desigual para benefícios. A categoria não aceitou. Cerca de 97% dos bancários rejeitaram a

proposta em assembleia nacional, aprovando uma paralisação de 24 horas em

20 de agosto.


Foi a mobilização que fez a negociação avançar.



Mesmo depois da paralisação, a Fenaban insistiu em propostas insuficientes,

chegando a oferecer apenas 2,57% de reajuste, valor muito abaixo da inflação. O Comando Nacional rejeitou. A pressão continuou e, após uma negociação que se estendeu por aproximadamente 32 horas, os bancos finalmente avançaram para uma proposta de INPC + 0,6% de aumento real em 2026 e 2027, abrangendo salários, PLR, VA e VR.


A aprovação da renovação da CCT pela categoria mais uma vez confirmou que nossas conquistas são o resultado da luta dos trabalhadores.


Durante a campanha, esteve ameaçada a própria estrutura da negociação coletiva. A Fenaban chegou a sinalizar a possibilidade de judicialização da renovação da CCT. Direitos históricos foram colocados em discussão, incluindo questões relacionadas à PLR e à gratificação de caixa. A defesa da Convenção Coletiva foi,

portanto, também uma defesa da capacidade dos trabalhadores de negociar

coletivamente suas condições de trabalho.


A transformação tecnológica, a inteligência artificial e a digitalização não podem

significar desemprego, vigilância permanente, adoecimento e aumento da

exploração. Por isso, a campanha também trouxe avanços em temas

fundamentais: saúde mental e riscos psicossociais, combate ao assédio moral e sexual, transparência no uso das tecnologias de monitoramento, limites à vigilância digital, direito à desconexão e mecanismos de requalificação e realocação profissional.


A luta também é pela defesa dos bancos públicos. Banco do Brasil, Caixa e Banrisul cumprem funções que ultrapassam a lógica do lucro.


São instrumentos fundamentais para o desenvolvimento do país, o

financiamento da agricultura, da habitação, das empresas, dos investimentos públicos e para a execução de políticas que atendem milhões de

brasileiros. Defender esses bancos é defender o patrimônio público e os

interesses da sociedade.


A Campanha 2026 aconteceu ainda em uma conjuntura política decisiva, marcada pelas eleições gerais e por disputas sobre os rumos do país e do mundo do trabalho. Nesse contexto, a defesa dos empregos, dos direitos e dos serviços públicos também é uma disputa política. Não há neutralidade quando estão em jogo o patrimônio público, a renda dos trabalhadores e a capacidade de organização da classe trabalhadora.


Os bancos têm tecnologia, poder econômico e enorme capacidade de pressão. Nós temos organização, unidade e mobilização. E foi justamente quando a categoria se uniu que os banqueiros foram obrigados a recuar e melhorar suas propostas.


A campanha termina com conquistas importantes, mas a luta continua. Os desafios impostos pela inteligência artificial, pelas novas formas de gestão, pela redução do emprego e pela pressão sobre os trabalhadores exigirão ainda mais organização sindical.


Nenhum direito está definitivamente garantido. Nenhuma conquista é

permanente sem mobilização e quando os trabalhadores se dividem, quem ganha são os banqueiros.


Nossa unidade é nossa maior força.

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