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As negociações do Acordo Coletivo de Trabalho BB,a inadimplência do agronegócio e os riscos de privatização

há 7 horas
2 min de leitura

Em junho, no 38º ENFBB, os colegas do BB definiram a Minuta de Reivindicações, priorizando a reposição da inflação com aumento real, sustentabilidade da Cassi e a reestruturação do Programa de Carreira e Remuneração (PCR).


No início das negociações, o BB condicionou o índice econômico ao desfecho das tratativas gerais com a Fenaban e aos limites impostos pelo defeso

eleitoral nas negociações salarias das empresas públicas.


A inadimplência do agronegócio segue pressionando os resultados do Banco do

Brasil, que, ao concentrar grande parte do crédito rural brasileiro, enfrenta aumento das provisões para perdas e redução da rentabilidade.


O setor atribui as dificuldades de pagamento à queda dos preços das commodities, aos altos custos dos insumos e às quebras de safra provocadas por eventos climáticos.


Não surpreende que a imprensa e o agro não façam referência a maior

dependência brasileira da importação de fertilizantes após o fechamento e

paralisação de fábricas de insumos pelo governo Bolsonaro no contexto de

privatização da atividade.



Tão pouco sobre o tarifaço do governo Trump, que atingiu parcela significativa das

exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos, ameaçando gerar

prejuízos bilionários em produtos como café, carne bovina e pescados.


Durante o processo, a representação dos funcionários reafirmou que somente um novo Concurso Público solucionará problemas como excesso de jornada, desvio e acúmulo de funções, limitações nas movimentações, gestão de metas e condições de trabalho.


Após várias rodadas de negociação, a proposta global do Banco do Brasil foi aprovada por ampla maioria nas assembleias de todo o país. O acordo garantiu reajuste de 4,60% sobre salários e benefícios, VR, VA e tetos da regra básica da PLR, além de bônus de R$ 3.000 vinculado à campanha de adimplência, beneficiando cerca de 71,5 mil funcionários das Unidades de Negócios e Apoio, e ampliou e manteve outros direitos.


Na Cassi, o ACT garantiu adiantamento de R$ 360 milhões pelo BB para assegurar as reservas mínimas de liquidez do Plano de Associados e o compromisso de construir um novo modelo de custeio.


Permanecem em acompanhamento nas mesas temáticas questões como o

modelo definitivo de custeio da Cassi, a migração de funcionários dos bancos incorporados, a revisão do PCR e a pressão por metas.


Apesar de seu papel estratégico na execução de políticas públicas, no

financiamento agrícola, no apoio às exportações e no desenvolvimento regional, o Banco do Brasil enfrenta propostas de privatização defendidas por setores

ligados ao programa econômico do candidato do PL ao governo, sob influência das reformas implementadas por Javier Milei na Argentina. A experiência argentina, porém, é marcada por recessão, redução de investimentos sociais,

mudanças nas relações de trabalho e perda de poder de compra, elementos que

alimentam o debate sobre os efeitos desse modelo. Nesse contexto, o BB permanece uma instituição estratégica para o país, com papel histórico na concessão de crédito agrícola, no financiamento de setores produtivos e na execução de políticas públicas, sendo relevante para a soberania financeira e para a democratização do crédito no Brasil.

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