A sétima década do sindicato
- WilFran Canaris
- 23 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Em 1987, o presidente José Sarney decretou a intervenção no BESC. O mercado ocupado pelo banco estava na mira dos bancos privados. A intervenção aparecia publicamente como uma tentativa de salvar a empresa e, nos bastidores, constituía-se numa articulação voltada à privatização. A defesa do BESC tornou-se prioridade do MOB e da categoria.
Desde que o banco foi criado, em 1962, os trabalhadores do Besc formavam o segmento mais numeroso da base da entidade e sua mobilização era decisiva para o sucesso das lutas da categoria.
O sindicato foi a primeira voz contrária à privatização e desencadeou, desde o início de 1989, um intenso processo de articulação de diversas forças sociais na defesa do banco estadual.
A ampla capacidade de arregimentar apoios galvanizou, em torno da nova diretoria, uma aura de respeito e competência. Em 1989, a diretoria do Besc foi convencida, pela primeira vez, a negociar em separado com uma comissão dos empregados cláusulas para um acordo coletivo adequado à realidade do banco. Estava aberta a porteira por onde passaria boa parte das conquistas salariais e de condições de emprego obtidas pela categoria nos anos seguintes.
Assim que tomou posse, o MOB fez um diagnóstico da situação dos consultórios médico e dentário e da barbearia para subsidiar as decisões que a categoria teria de tomar sobre a estrutura assistencialista. Após avaliação, este tipo de benefício foi encerrado e o sindicato passou a servir à categoria de outra forma: estruturou uma secretaria capacitada para fiscalizar condições de saúde e segurança no trabalho, combatendo a elevada incidência de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) nos colegas.
Defender os direitos e reivindicações dos trabalhadores foi o próximo passo. As greves exigem estrutura e o novo padrão de ação da entidade necessitava de
condições mais funcionais de existência. Foi em resposta a esta necessidade que o sindicato se mudaria, em julho de 1993, para o prédio de número 308 na Rua Visconde de Ouro Preto. A nova sede sintetizaria, ao mesmo tempo, um novo padrão de ação política e uma reconciliação com a história da entidade.
A partir da reformulação estrutural impulsionada pelo MOB, o sindicato
passou a ter atuação diferenciada em cada setor. As novas diretorias
incorporaram como central em seus mandatos o conceito que a própria CUT definiria como bandeira principal do sindicalismo combativo - a luta pela cidadania.
Em termos práticos, esta bandeira trouxe duas decorrências imediatas: a busca de alianças com outras organizações sociais, sindicais e populares, em torno de
reivindicações comuns de respeito aos direitos básicos dos brasileiros e o
envolvimento direto em uma série de espaços de formulação de políticas públicas ou gestão de iniciativas populares à parte do Estado para combater a miséria da população.
Este novo perfil de atuação ampliou a repercussão das iniciativas do sindicato. Hoje, a ação política da entidade tem impacto sobre a vida da cidade. Boa parte disso se deve à nova estrutura criada a partir do fim do assistencialismo e outra parte à disposição política dos dirigentes.
Até o final da década de 80, as greves se sucediam com regularidade, em busca de proteção dos salários contra a inflação crescente, o que indicava a transformação política vivida pelo sindicato a partir da metade dos anos 80. A luta pela preservação dos salários não se limitou às fronteiras dos guichês bancários. Desde 1987, a categoria por duas vezes decidiu fortalecer greves gerais convocadas pelas centrais sindicais em oposição a medidas determinadas pelos sucessivos pacotes econômicos.











Comentários